09 jan 2026
Minha história com a moda, a superação e o propósito de vestir vidas com verdade
Aos 8 anos, eu era magra.
Aos 9, depois de retirar as amígdalas, meu corpo começou a mudar — e eu me tornei uma menina gordinha e tinha vergonha.
Essa mudança física marcou não só a minha infância, mas todo o meu percurso até a vida adulta. Desde cedo, aprendi a viver sob o olhar de julgamento. A balança virou uma inimiga silenciosa: diminuía porções, restringia doces aos finais de semana, testava dietas malucas, e cheguei até aos controladores de apetite.
Mas havia algo em mim que resistia: a paixão pela moda.
Criatividade como Refúgio
Comecei a trabalhar com 15 anos. Gostava de criar looks com minha assinatura: um lenço diferente, um cinto feito com corda e conchas da praia, uma combinação que ninguém tinha. Não seguia tendências — eu criava possibilidades. Minha mãe, costureira de uma butique, sempre costurava roupas únicas para mim. E quando não achava algo que me representasse, eu desenhava e ela costurava com amor.
Estudei, trabalhei em grandes empresas, casei, fui mãe, me divorciei. Tinha independência, estilo e saúde. Aos 42 anos, caminhava na praia, frequentava academia, pesava 70kg.
Foi quando um AVC isquêmico mudou tudo.
Corpo Novo, Dor Nova
O AVC me tirou muito mais do que a fala e o movimento: tirou minha confiança, minha autoestima, minha imagem. Passei a pesar 120kg, chorei muito, senti raiva, vergonha de reaprender a segurar algo com a outra mão. As roupas perderam o sentido — passei a vestir apenas legging e camisetas largas. Os vestidos eram todos iguais: o mesmo corte, estampas enormes e vibrantes.
Não havia moda plus size, havia “tamanho grande”. As lojas? Eram feiras, araras improvisadas, com opções mínimas. Era frustrante provar uma roupa e perceber que, se houvesse apenas um número a mais, daria certo — mas esse número não existia.
A Virada com a Moda Digital e o Autoconhecimento
Foi quando descobri a plataforma Wishi. Encontrei ali vestidos diferentes, camisas de corte assimétrico, roupas modernas que me devolviam algo precioso: identidade.
Quando me aposentei em 2019, com mobilidade reduzida e sem sair de casa, por causa da pandemia, assisti a uma live sobre coloração pessoal — e ali, encontrei meu novo caminho: a consultoria de imagem.
Transformei minha Imagem — e Hoje Transformo Outras Vidas
Aos poucos, com muito estudo, apliquei a consultoria em mim mesma. Descobri minhas cores ideais, os melhores cortes para o meu corpo curvilíneo, as mensagens que minhas roupas transmitiam. Passei a comprar com propósito, criar com liberdade, vestir com segurança.
Hoje sou Consultora de Imagem, Coloração Pessoal, Estilo e Visagismo, com especialidade em moda inclusiva e sustentável para o público plus size. Conheço, na pele e na alma, as dores de quem não se sente representada. Por isso, sou ponte entre autoestima e expressão, conforto e estilo, modernidade e elegância, acolhimento e identidade.
Quem melhor para te orientar do que alguém que já esteve no seu lugar?
A consultoria de imagem e estilo plus size é um instrumento de transformação. Não se trata de mudar o corpo — trata-se de vestir-se com amor, estratégia, elegância e autenticidade. É um processo de escuta, autoconhecimento, muita conversa, saber o que faz sentido para você, o momento que você está vivendo hoje e o que quer almejar no futuro. É um trabalho onde te guio, sem largar a sua mão, descobrir seu estilo, suas melhores cores, para um guarda-roupa funcional e único, a sua identidade, exclusivo, com conforto e modernidade — tudo isso sem abrir mão da sua essência.
Minha missão é essa: fazer com que mulheres e homens reais, com curvas e história, se vejam no espelho e se reconheçam, se admirem, sintam vontade de vestir-se bem, de se expressarem com poder e liberdade.
Porque a imagem certa não é a que emagrece — é a que representa quem você é, com confiança eleva cada vez sua autoestima.
Rosangela Andrade – Consultora de Imagem e Visagista Plus Size